sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Manifesto de Poetas Del Mundo - Minas




Perdida não é a bala
(que gera um medo profundo),
Mas aquele que se cala
ante a violência do mundo.
OLYMPIO COUTINHO


Nós Poetas Del Mundo não nos calaremos. Manifestamos que estamos alertas às questões que degradam o planeta e o próprio homem e nos propomos alertar, com a palavra poética, em nossos lares, em escolas, praças públicas, junto às instituições, para as questões que provocam o distanciamento entre pessoas e entre estas e a natureza. Prometemos também, encontrar soluções e realizar ações que provoquem mudança nesse quadro que aí está.


MANIFESTO POETAS DEL MUNDO DE MINAS GERAIS


A voz de Minas ergue-se
acima de suas montanhas e vales.
Manifesta-se, num canto poético,
a todas as nações, vilas e cidades;
e aos quatro cantos se faz ouvir.

Em Berlim, caiu o muro da vergonha;
irmãos se abraçaram entre escombros.
Outros muros, porém, se ergueram
invisíveis ao olhar, norte e sul a separar.
O preconceito concretiza a divisão.
Bombas no mundo estão a explodir.

O consumismo gera, em ventre espúrio
a desunião, a degradação e a miséria
O aprendizado manipulado, fraudado,
espalha no ar seu desatino mordaz .
Guetos se formam. Guerra há no asfalto.
Há terras que choram lamentos de dor.

Onde estão os irmãos e irmãs?
Onde estão homens e mulheres se apoiando?
Onde está o pão que mataria toda fome?
Onde está o trabalho que traz dignidade?
Valores são profanados, túmulos violados
por ataques cruéis queimando as memórias.

Há mudanças construindo novos caminhos.
Explode nossa palavra em levante audaz.
Um doce acalanto já soprou das montanhas,
brisa suave que despertou as cidades, para que
todos os Cláudios, inconfidenciando sonhos, cantem
dos porões das Minas, na voz clara das manhãs.

Contra a ditadura e o arbítrio se alevantem
palavras poéticas, proféticas, buscando a razão.
Pelo meio ambiente, nossa poesia se agigante
ilumine corações com a coragem guerreira
que não se cala e põe no chão sua luta.
Mensageiros da paz, sua hora já chegou!

Levantemo-nos! Unidos, vamos a paz conquistar.
Na arte da Poesia, somos do Mundo, só podemos
crer e já; a paz não é utopia, ela é possibilidade.
Com a força da palavra, vamos em escolas entrar.
Às crianças e jovens mostrar novos caminhos
pois há de valer a vida, há de chegar a verdade.

A escassez de alimentos que ao mundo assola,
resultado da ganância e da gula insana,
degrada uma humanidade que sacia, na esmola,
a sede de justiça que da poesia emana.
Já raiou nas Minas, de ricas entranhas,
o sol ardente da poesia e da liberdade.

Da Cordilheira Andina, o Condor já alçou vôo;
em seu canto anunciou: Alerta, Minas Gerais!
Ecoou em todo o mundo: É preciso salvar a vida
e semear fraternidade e paz entre as nações.
Este Movimento se estende e pretende, como vento,
levar poetas del mundo à diplomacia da poesia.

Vamos, poetas de Minas, juntar-nos ao Movimento,
marchando unidos, o velho, o jovem, a criança,
conduzindo um povo cansado, carente,
a um novo mundo de amor e esperança.
Pela fraternidade, contra a fome, nossas forças
unidas exigindo dignidade e respeito à vida.

Que o trinômio da intolerância, ódio e preconceito
sejam dissipados tanto no tempo, quanto no espaço
para que todas as etnias, credos e nações inteiras
acionem sem medo, quebrando todas as barreiras,
o preceito de pazear até a irmandade mundial!
Unidos, marchemos a serviço da Paz entre todos!

Nós, Poetas Del Mundo, pela Paz e pelo Amor,
pela consciência da dor e do horror,
abracemos com alma e coração esta missão
de falar e lutar, por aqueles que o abandono
fez distantes do aprendizado e da visão
que permite questionar, reivindicar... viver a paz.

Para a construção de um mundo novo
plantemos sementes de paz. Que brote e floresça
a poesia da vida que faz com que o amor permaneça.
Que nunca se abuse de uma criança, nem de um idoso!
À criança – semente – ensinemos o amor;
Com o idoso, aprendamos o fruto da vivência.

Que, jamais, através da arma gere-se a guerra,
a ambição, a dor. Que as letras se instalem
no amar, gerando o ser pelo ser,
na patente consciência do amor! Que a criança,
instrumento vivo da humana criação, seja
com carinho lapidada e, com palavras, nutrida.

Um passo importante neste andor
é construir a paz cotidianamente.
Momentos decisivos exigem vontade
na defesa da continuação da vida.
Liberdade e responsabilidade maior
devemos ter com a Mãe Terra e sua gente.

Pratiquemos este Manifesto, em poemas e atitudes;
socializemos nossas ações para que todos conheçam.
Que não sejamos eu, nem você; que o coletivo prevaleça!
Que o medo não nos esmoreça, que erros alicercem acertos,
pois há de valer a vida, a verdade e a amizade em Minas Gerais.
Abaixemos a bandeira branca e comecemos a lutar pela paz!!

Das Montanhas de Minas Para o Mundo,
Que Mil Anos Ouçam Nossa Voz,
Pela Paz Mundial e Pelo Amor Universal

.................................................................................................


Colaboradores:

Ana da Cruz ID=5065
Arahilda Gomes ID=1211
Bilá Bernardes ID=2537
Carmen Cristal ID=1632
Helenice Rocha ID=2536
Jaak Bosmans ID=5366
João Drummond ID=2509
Joker Índio ID=
Terezinha de Lisieux ID=824
Marta Reis ID=5957
Newton Emediato Filho ID=6034
Olympio Coutinho ID=
Regina Mello ID=2561
Sílvia Araújo Motta ID=1481





Apoios:

Rosa Helena Pimentel- RG M2 864115 SSPMG poetadel mundo (ID=4536) e cantora
Cláudio Márcio Barbosa BH ID=2819
Marco Llobus BH ID=2535
Mariza (Emiele) Lenir Horta de Abreu BH ID=1489
Léa Lu Contagem ID=3844
Lívia Tucci BH ID=3468

Obs.: Colaboradores são os poetas que participaram da redação e revisão do Manifesto;
Apoios são os que estão manifestando sua concordância com o Manifesto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

POETAS DEL MUNDO - PORQUE ASSOCIAR-SE?




Poetas Del Mundo
Porque Associar-se?

A poesia entrou na minha vida em momento de crise. Não gostava de poesias, achava-as chatas, sem sentido e sem utilidade.
Quando comecei a decorar Navio Negreiro de Castro Alves, a minha intenção era melhorar minha comunicação ou capacidade de expressão.
Castro Alves, sem que me desse conta, passava pelas dobras do tempo os valores e sentimentos que confrontaram como armas não convencionais a ditadura escravocrata.
Vivemos hoje outras ditaduras que devem ser confrontadas: a da exclusão e injustiça social, dos preconceitos, da corrupção política, etc.
A poesia de poetas como Castro Alves, palavras alinhavadas em sua forma mais nobre e elevada, atingiam em cheio o âmago da indignidade humana e denunciavam, sem medo nem pudor umas das mais negras paginas da história da humanidade.
E atingiam em cheio uma alma prisioneira que buscava na poesia seu vôo de liberdade.
Eu diria que a poesia salvou minha vida da derrocada existencial e restabeleceu um antigo plano de ideais que em criança me faziam sonhar acordado, e que se corromperam ao longo da dura caminhada nesta busca pelo “sucesso” pessoal e profissional.
Este sucesso equivocado, forjado pela procura incessante de bens, poder e status, representa uma das maiores armadilhas destes tempos intrigantes.
Quando menos esperava eu estava compondo meus próprios poemas e encontrando um sentido mais autentico e verdadeiro de bem viver.
A poesia alinhava minha mente e coração com a Mente e Coração do Mundo.
Ocorreu-me que, se a poesia pode salvar uma vida, ela pode salvar também muitas vidas e até toda uma humanidade.
Quando fui convidado por Deslanieve Daspet e aceitei ser Cônsul de Poetas Del Mundo por Sete Lagoas, devo confessar que não tinha ainda a idéia exata do movimento.
Um diploma internacional de Cônsul me conferia um reforço considerável no meu currículo de autor e poeta emergente.
Mas eu já percebia a nobreza e grandiosidade do Movimento Poetas Del Mundo, que numa iniciativa inédita procurava unir e agregar talentos e esforços numa grande revolução branca e poética, pela paz e pela vida.
No encontro de Belo Horizonte, as palavras do Secretário Geral Ariaz Manzo, me convenceram de vez que o Movimento Poetas Del Mundo é visionário, oportuno e ousado, bem apropriado para um mundo que agoniza, vitima da insensatez humana.
A idéia de poetas carregando pelo mundo nas mãos, rosas vermelhas e pombas da paz, em busca da solução de conflitos pela força da diplomacia poética é alentadora e cativante.
Somos levados em momentos de desesperança a flutuar nesta utopia sublime, e por alguns instantes sonhar com um mundo mais humano, mais justo e mais poético.
Num mundo, onde a realidade nua e crua nos esbofeteia a face a cada momento, saber sonhar pode ser nossa ultima defesa. E os sonhos têm este poder de nos transportar sobre os abismos de incertezas e sobre vales de lágrimas.
A utopia de uma Nação de Poetas construindo um tão sonhado e almejado Mundo Novo.


João Drummond

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=2509

terça-feira, 30 de junho de 2009

O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA

Trecho de O Código da Inteligência,
de Augusto Cury

Capítulo 1

A definição da inteligência:
o Homo sapiens, um ser além dos limites da lógica

As três grandes áreas
que definem a inteligência

Ao definir nos próximos parágrafos o que é inteligência gostaria que o leitor não acostumado a esses conceitos não se desanimasse. Será uma sintética exposição. Para a Psicologia Multifocal a definição de inteligência é abrangente e como o próprio nome da teoria diz, é multifocal, multidinâmica, multifatorial. Alguns autores também sugeriram que a inteligência é multidimensional e modificável (Feurstein, 1980). O conceito global de inteligência entra em três grandes estágios ou três grandes áreas. As duas primeiras são inconscientes e a última, consciente.


A primeira área é mais profunda, refere-se aos fenômenos inconscientes que atuam em milésimos de segundos no resgate e na organização das informações da memória e conseqüentemente na construção de pensamentos e emoções. Essa produção é registrada milhares de vezes por dia pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), construindo a plataforma que forma o Eu, que é a expressão máxima da consciência crítica e capacidade de escolha. Tudo o que percebemos, sentimos, pensamos, experimentamos, tornam-se tijolos na construção dessa plataforma de formação do Eu.


A segunda área se refere ao corpo das complexas variáveis que influenciam em pequenas frações de segundos os fenômenos que lêem a memória e produzem os pensamentos, imagens mentais, idéias e fantasias. Entre essas variáveis destaco "como estou" (estado emocional e motivacional), "quem sou" (a história existencial arquivada nas janelas da memória), "onde estou" (ambiente social), "quem sou geneticamente" (natureza genética e a matriz metabólica cerebral) e o "como atuo como gestor da psique" (o Eu como diretor do roteiro de nossa história).


Normalmente, as teorias enfatizam os aspectos psíquicos, sociais e genéticos na construção da inteligência. Alguns pensadores se fixaram na interação entre as duas grandes forças geradoras do desenvolvimento em geral, e da inteligência em particular, a natureza e a cultura. "Não é uma competição, é uma dança" (Sternberg, 1990). Sim, de fato há uma dança dinâmica de variáveis, mas que ultrapassa essas duas grandes forças geradoras.


Como vimos, além da variável genética e cultural estão, em primeiro plano, as variáveis "como atuo como gestor do psiquismo" e o "grau de abertura das janelas da memória" determinado pelos estados emocionais (alegria, tranqüilidade, humor depressivo, ansiedade). Ao estudar esses outros fatores descobrimos que a mente humana é mais complexa do que imaginamos.


Por exemplo, pensávamos no passado que somente quem teve uma infância com traumas, saturada de perdas e frustrações adoeceria, desenvolveria transtornos psíquicos e psicossomáticos. Pobre engano! Sabemos hoje que mesmo os que gozaram de uma infância feliz e sem traumas, que tiveram o privilégio de ter pais amorosos, generosos, solidários, podem ter uma vida psíquica miserável na adolescência e na vida adulta se não aprenderam a decifrar alguns códigos fundamentais ao longo do processo de formação da personalidade.


Poderão ser vítimas dos estresses financeiros, estresses existenciais, perdas, competição predatória, frustrações, preocupações excessivas; enfim, de uma série de variáveis que dilapidam seu patrimônio psíquico, em especial seu prazer de viver.


Outro exemplo: acreditamos ingenuamente que temos pleno domínio do processo de construção de pensamentos, idéias, imagens mentais. Não é verdade. Podemos dominar computadores, carros, aviões, mas não temos o domínio completo da mais incompreensível das máquinas: a mente humana. Quantos pensamentos inquietantes perturbam nossa tranqüilidade sem que os tenhamos produzido conscientemente? Quantas idéias fóbicas transitam pelo palco psíquico sem que tenhamos permitido que fossem construídas pela vontade consciente?


O Eu como gestor psíquico, administrador do intelecto, é apenas um dos códigos da inteligência. Se mesmo sendo um bom gestor psíquico não dominamos completamente os pensamentos e as emoções da complexa mente humana, imagine se não decifrarmos esse código, imagine se abrirmos mão dessa gestão que ocorre nessa segunda grande área da inteligência.


Nesse caso, se usarmos um veículo como uma analogia da mente humana, podemos dizer que somos amordaçados no banco de passageiro como espectadores passivos de uma viagem que não programamos. Aliás, diariamente milhões de pessoas viajam em suas mentes no território das fobias, das preocupações doentias, da ansiedade, sem ter programado essa viagem. Entraram em um filme de terror que não queriam assistir. O dramático é que o filme roda na sua mente. Não há tecla para desligar o aparelho mental.


Ao estudarmos a primeira e segunda grande área da inteligência podemos concluir que Homo sapiens, capaz de desenvolver equações matemáticas, fórmulas físicas e lógicos programas de computador, pode ser tão ilógico a ponto de produzir reações agressivas, desproporcionais, irracionais.


Peritos em lidar com números podem perder sua lógica e reagir estupidamente à mínima contrariedade. Médicos aparentemente dosados diante de seus pacientes, podem reagir sem qualquer controle ao serem questionados por seus pares. Na realidade, o Homo sapiens, seja ele um psiquiatra ou paciente, matemático ou aluno, é micro ou macro de acordo com cada momento existencial. Ninguém é plenamente estável e coerente. O nível de flutuação apenas determina o grau de nossas doenças.


A terceira grande área da inteligência se refere aos resultados das duas primeiras áreas. Nessa área se encontram os comportamentos perceptíveis, capazes de serem analisados, avaliados, aferidos. Nessa área se evidencia a rapidez de raciocínio, o grau de memorização, a capacidade de assimilação de informações, o nível de maturidade nos focos de tensão, bem como os patamares de tolerância, inclusão, solidariedade, generosidade, altruísmo, segurança, timidez e empreendedorismo.


Na terceira área da inteligência, segundo o conceito da Psicologia Multifocal, é que são feitos os mais variados testes para se medir os mais diversos tipos de quocientes de inteligência. Entretanto, todos os testes são circunstanciais, parciais e incompletos. Nenhum deles é definitivo. Habilidades que são detectadas em uns, não são em outros. Capacidades que são aferidas em um momento, se mudamos as variáveis (como estou, onde estou, níveis de gestão psíquica), não são aferidas em outros.


Não vou entrar em muitos detalhes teóricos e científicos sobre essas áreas nesta obra de aplicação psicológica, mas gostaria de dizer que os códigos da inteligência envolvem as três áreas. Decifrá-los e aplicá-los são processos conscientes, mas ao fazer esse exercício atingiremos as regiões inconscientes, as camadas mais profundas da inteligência humana, ainda que não percebamos.


Destacarei oito códigos da inteligência mais relevantes. Grande parte do que a imprensa escreve é texto de auto-ajuda, orientação para os leitores fazerem suas escolhas, apesar de alguns jornalistas não admitirem e nem gostarem dessa linha literária.


Gosto muito de escrever livros de ficção. Mas vários dos meus livros são de "não-ficção". Alguns deles são classificados erroneamente como auto-ajuda. Os que os classificam assim, não entendem quais são as gritantes diferenças entre um livro de auto-ajuda e um livro de ciência aplicada; enfim, de psicologia, psiquiatria, pedagogia e filosofia aplicada. Apesar das minhas enormes limitações, procuro democratizar o conhecimento sobre o funcionamento da mente extraído da teoria que desenvolvi.


Meu objetivo é disponibilizar ferramentas para estimular o debate de idéias, para que os leitores aprendam a atuar em seu psiquismo, a desenvolver consciência crítica, proteger sua emoção, tornarem-se gestores da sua mente e serem capazes de expandir seu potencial intelectual e prevenir transtornos psíquicos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Linguagem Poética

A Linguagem Poética
Ter, 20 de Maio de 2008

© 2009 - Autores.com.br

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O REINO DO SILÊNCIO

Perdido nas memórias do tempo e do espaço vivia um Reino feliz, o Reino de Palavras, governado pelo sábio Rei Arnon.
O Rei tinha duas filhas, princesas de rara beleza, cantada em prosa em verso pelos poetas da terra.
O Reino era conhecido por produzir muitos poetas e cantadores que eram dotados do dom da Divina Palavra.
Artistas que viajam a outros Reinos, encantando a todos pela sua habilidade em produzir, cantar e declamar poemas.
Uma das princesas, alem da beleza, era dotada também de uma voz de raríssimo timbre e afinação.
Todos que a ouviam cantar a beira do lago ou caminhando pelos bosques adjacentes ao Castelo se impressionavam.
Ao norte havia o Reino de Armas, respeitado pelo seu poderoso exercito e comandado pelo temido Rei Urias, guerreiro fortíssimo e mestre de varias armas.
Como a região era ameaçada por hordas bárbaras que invadiam os dois Reinos em incursões e ataques inesperados, o Rei Urias sugeriu que os dois Reinos se unissem em um único com o casamento de seus príncipes sucessores.
O Rei Arnon gostou da sugestão e se dispôs a casar sua filha Leonara que era a primeira na linha de sucessão.
O príncipe Willians, do Reino de Armas disse que aceitaria se casar apenas com a outra princesa, Helenia, a que cantava.
E assim foi feito e os Reinos de Palavras e de Armas se uniram passando a se chamar Império de Parmas.
O casamento fora marcado para a próxima primavera, dalí há alguns meses.
Leonara inconformada, e sabedora que a irmã ia toda tarde para beira do lago se encontrar e cantar com o jovem poeta Arturo, passou a espalhar pelo Reino que a princesa Helenia tinha um amante e que traia o seu prometido.
Aquelas palavras venenosas passaram a circular o Reino pela boca de seus súditos e chegaram aos ouvidos do Rei Urias.
O Rei de Armas, furioso, cancelou o contrato de união entre os Reinos e ameaçou invadir e destruir o Reino de Palavras.
Ciente de que não seria páreo para o exercito de Armas o Rei Arnon mandou emissário propondo a Urias que ditasse seus termos para se evitar a invasão.
O Rei Urias declarou que só uma medida seria aceita para se evitar a guerra, que a princesa Helenia fosse aprisionada na torre do castelo e que de lá isolada, pudesse apenas mirar seus lagos e bosques, pena cruel para a jovem princesa.
Helenia, privada de sua liberdade e do convívio com o que mais gostava começou a definhar, tendo caído em coma profundo.
Leonara, arrependida, foi ao Rei, seu pai e revelou a trama que promovera para o rompimento do casamento e do acordo entre os dois Reinos.
O Rei Arnon transtornado determinou que a filha fosse banida do Reino junto com um grupo de damas e cavalheiros de sua confiança e expediu ordem para que os médicos da corte fizessem de tudo para salvar a vida da princesa Helenia.
Nada do que foi feito conseguiu reverter o quadro e a princesa permanecia em seu sono profundo.
O Rei Arnon decretou que a partir daquela data e até que a princesa se recuperasse qualquer palavra estaria proibida no Reino sob pena de morte. Todos só poderiam se comunicar com gestos.
Estabeleceu então o Reino do Silêncio Absoluto.
O Poeta Arturo e alguns companheiros continuaram se reunindo às escondidos em cavernas da região para promover seus poemas e cantos e não deixar que a velha arte se perdesse.
Arturo não se conformava com aquela proibição absurda e num determinado dia, propôs aos seus companheiros desafiarem a lei do silencio, mesmo que isto implicasse na pena capital. A revolução das palavras teve inicio com um grupo de jovens cantores e poetas, cantando com toda a força de suas palavras pelos bosques e vales do Reino.
Logo chegou a guarda real e prendou o pequeno grupo de revoltosos, lançando-os na masmorra.
O julgamento foi sumario e marcada a data da execução.
Num dia sombrio, o cadafalso montado no pátio em frente ao castelo se matinha como testemunha muda daquela lei de exceção que condenava à morte a manifestação sagrada da livre palavra.
No momento em que o verdugo se colocou em posição para acionar a alavanca do engenho da forca, o silencio de morte foi interrompido por uma voz maviosa que parecia vinda dos céus. A voz de um anjo ecoava agora com força se espalhando mágica por todos os recantos do castelo.
Todos os olhares se voltaram para a torre mais alta e lá estava ela, a princesa Helenia que, refeita do seu sono profundo, pedia clemente em seu canto divino, pela vida dos seus amigos poetas e pelo resgate do maior valor do Reino que fora colocado sob lei marcial, todas as palavras e cantos e todas as formas de livre manifestação.

João Drummond

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Palavra

PALAVRAS


[Do gr. parabolé, pelo lat. parabola.]
S. f.
1 - Unidade mínima com som e significado que pode sozinha, constituir enunciado; forma livre.

2 - Unidade pertencente a uma das grandes classes gramaticais, como, p. ex., substantivo, verbo, adjetivo, advérbio,
3 - Alta expressão do pensamento; verbo.

4 - Faculdade de expressar idéias por meio de sons articulados; fala
5 - Modo de ver; opinião, afirmação, asserto.
6 - Alocução, oração, discurso
7 - Doutrina
8 - Promessa verbal
9 - Permissão ou direito de falar
10 - Maneira de falar


Palavra de conteúdo

Palavra de honra.
Protesto verbal que afirma a realização de promessa.

Palavra de rei.
Promessa que será seguramente cumprida; afirmação incontestável.

Palavra entrecruzada - Formação vocabular que resulta da combinação de palavras, ou da parte inicial de uma palavra com a parte final de outra; amálgama. [P. ex.: showmício < show + comício.]

Palavra erudita - A que é tomada por empréstimo diretamente às línguas clássicas, não apresentando assim mudança fonética; cultismo, eruditismo; mot savant.

Palavra funcional - Palavra cujo significado expressa relações gramaticais, como, p. ex., as conjunções; palavra gramatical, palavra estrutural, palavra vazia. [Cf. palavra lexical.]

Palavra gramatical - Determinada unidade de um paradigma gramatical; palavra morfossintática. [Tb. se diz apenas palavra.] [No português padrão do Brasil, amamos representa duas palavras gramaticais diferentes: a primeira pessoa do plural do presente do indicativo de amar, e a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do mesmo lexema.]

Palavra lexical - Aquela cujo significado refere o mundo biossocial; palavra de conteúdo. [Cf. palavra funcional.]

Palavra morfossintática - V. palavra gramatical.

Palavra reservada
Palavra-chave (3).


Palavras cruzadas - Espécie de charada em que, achando a palavra que resume uma das definições dadas, o cruzadista a inscreve na conveniente fileira ou coluna de um desenho quadriculado, de tal modo que cada letra de uma palavra horizontal entre na composição de outra palavra vertical.

Palavra semi-erudita - A que é tomada por empréstimo diretamente às línguas clássicas, apresentando, entretanto, pequena adaptação fonética; semicultismo, semi-eruditismo.

Palavra vazia – Sem conteúdo.

Cortar a palavra a - Impedir que continue a falar.

Dar a palavra a - Permitir (o presidente duma assembléia) que alguém fale. Assegurar o cumprimento de uma promessa.

De palavra - Que cumpre aquilo que promete. Empenhar a palavra. Obrigar-se por promessa.

Em quatro palavras - Com brevidade; brevemente, laconicamente.

Medir as palavras - Atentar bem no que diz; falar com prudência; pesar as palavras.

Molhar a palavra - Beber vinho ou outra bebida espirituosa.

Não dar uma palavra - Abster-se de falar; calar (-se).

Pedir a palavra - Solicitar permissão para falar numa assembléia.

Pegar na palavra - Dispor-se a exigir o cumprimento do prometido.

Pesar as palavras - Medir as palavras.

Santas palavras - Exclamação proferida por alguém que ouve, enfim, palavras que desejava ouvir.
Exclamação de quem ouve dizer, afinal, que chegou a hora de comer ou de beber.

Ser a última palavra em - Ser o que há de mais moderno, mais avançado, mais perfeito.

Ter palavra - Cumprir o que promete.

Ter a palavra - Ser autorizado a falar, numa assembléia.

Ter a palavra fácil - Ter desembaraço para fazer discursos, para falar.

Tirar a palavra da boca de - Antecipar-se em declarar o que ia ser dito por (outra pessoa).

Última palavra - Palavra, opinião, resolução definitiva, irrevogável.




Sobre a Palavra


No principio era o verbo...
Pelas suas palavras serás justificado... E condenado.

Eu penso, logo existo. (René Descartes)

Eu comunico meu pensamento, logo apareço.

A palavra como expressão da individualidade.